# FGV - CPDOC

Astrojildo Pereira
http://www.cpdoc.fgv.br/nav_historia/htm/biografias/ev_bio_astrojildopereira.htm

Astrojildo Pereira Duarte Silva nasceu em Rio Bonito (RJ), em 1890.
Ainda jovem iniciou sua militância em organizações operárias de orientação anarquista, tendo sido um dos promotores, em 1913, do II Congresso Operário Brasileiro. Foi também na imprensa operária que se iniciou no jornalismo, atividade a que se dedicaria durante a maior parte de sua vida. No final de 1918, participou dos preparativos de uma frustrada insurreição anarquista e, por conta disso, foi preso. Solto em 1919, começou a afastar-se do anarquismo e a defender os rumos tomados pela Revolução Russa.

Em março de 1922, participou do congresso de fundação do Partido Comunista do Brasil (PCB) e foi eleito secretário-geral da organização. Em 1924, fez sua primeira viagem à União Soviética. No ano seguinte, quando o PCB iniciou a publicação do jornal A Classe Operária, tornou-se, ao lado de Otávio Brandão, um de seus principais redatores. Em 1927, encarregado pela direção do partido de buscar contato com Luís Carlos Prestes, então exilado na Bolívia, entregou ao líder tenentista diversos volumes de literatura marxista. Em 1928, passou a fazer parte do comitê executivo da Internacional Comunista, eleito no VI Congresso da entidade realizado em Moscou.
Entre fevereiro de 1929 e janeiro de 1930 viveu em Moscou, de onde voltou com a orientação de proletarizar o PCB, ou seja, de promover a substituição dos intelectuais na direção do partido por operários. Em novembro de 1930, acabou sendo atingido, ele próprio, pelo processo de proletarização e foi afastado da secretaria-geral do partido. No ano seguinte, após breve período de atuação junto ao Comitê Regional de São Paulo, desligou-se do PCB.

A partir de então, dedicou-se durante muitos anos aos negócios particulares herdados do pai e, já como crítico literário reconhecido, colaborou no jornal carioca Diário de Notícias e na revista Diretrizes. Em 1944, publicou Interpretações, obra em que reunia estudos sobre literatura, com destaque para o artigo "Machado de Assis, romancista do Segundo Reinado".

Em 1945, foi delegado do Estado do Rio ao I Congresso Brasileiro de Escritores, realizado em São Paulo, e um dos redatores da declaração de princípios do encontro, marcada por críticas à ditadura de Vargas. Ainda em 1945, retornou ao PCB e passou a colaborar intensamente com a imprensa partidária. Dirigiu as revistas Literatura, Problemas da Paz e do Socialismo e Estudos Sociais, e colaborou com o jornal Imprensa Popular e com a revista Novos Rumos.

Em outubro de 1964, foi preso em decorrência do golpe militar e permaneceu na prisão por três meses, já em estado de saúde precário.

Morreu no Rio de Janeiro, em 1965.

[Fonte: Dicionário Histórico-Biográfico Brasileiro pós-1930. 2ª ed. rev. e atual. Rio de Janeiro: Ed. FGV, 2001. 5v. il. (1. ed. 1984)]

# NoTíCiAs @ 2008 # J. R.GUEDES de OLIVEIRA











***** MÉRITO DE TRABALHO
# José Roberto Guedes de Oliveira
O ensaísta, biógrafo e historiador J. R. Guedes de Oliveira, de Indaiatuba, SP, acaba de ser contemplado com o " Prêmio Emílio Castelar", pelo conjunto de suas obras literárias, pela sua defesa dos direitos humanos e meio ambiente e pela sua atuação voluntária no Instituto Brasileiro de Fluência - IBF (que cuida dos portadores da gagueira). A outorga lhe foi concedida pela Fundación Vida - Grupo Ecológico Verde, da Espanha, como " Personalidade Destacada em 2008 ", sendo, pois, o primeiro brasileiro a ser conferido com o importante prêmio. A Festa de entrega do Prêmio, foi realizada no dia 05/12/2008, em Madrid, por ocasião da realização do
" Congresso sobre Racismo e Discriminação - Abolição da Escravatura e seu Tráfico". No evento o homenageado fez a abertura com a sua conferência sobre este tema, enfatizando questões de discriminação, intolerância, escravatura e racismo na história e na sociedade atual.

Visite DM Rio Cultural

@ A ÚLTIMA VISITA

Curta sobre última noite de Machado de Assis será exibido na ABL

JB Online

RIO - A última visita, novo curta-metragem de Zelito Viana, com direção de fotografia de Walter Carvalho, terá pré-estréia nesta quinta-feira, dia 27 de novembro, às 19 horas, no auditório da Academia Brasileira de Letras, no Rio.

O filme é baseado na história de Astrojildo Pereira Duarte, um jovem de apenas 17 anos, que, na noite de 28 de setembro de 1908, compareceu a um encontro não marcado.
Seu destino era uma casa no Cosme Velho para conhecer pessoalmente o dono, Machado de Assis, que morreria poucas horas depois.

O "anônimo juvenil", assim batizado por Euclides da Cunha em uma de suas crônicas, se tornaria mais tarde um intelectual, fundador do Partido Comunista do Brasil.

Primeiro curta-metragem de ficção assinado por Zelito Viana, A última visita, com aproximadamente sete minutos, traz na direção de arte Alexandre Meyer. A caracterização de Marcos Palmeira como Euclides da Cunha ficou por conta de Jabono,maquiador do Rio Grande do Sul. As filmagens foram realizadas na própria Academia Brasileira de Letras.

JB 24/11/2008

@ Vídeo FUNDAÇÃO ASTROJILDO PEREIRA

# FAP Fundação Astrojildo Pereira
" Brasileiros Militantes "

@ Vídeo Entrevista FUNDAÇÃO ASTROJILDO PEREIRA

Entrevista com o diretor da Fundação Astrojildo Pereira,
Francisco Almeida, no Fórum da Juventude Popular Socialista

* Galeria @ ASTROJILDO PEREIRA











ASTROJILDO PEREIRA
Fotos Pesquisa de JOSÉ ROBERTO GUEDES DE OLIVEIRA

* Galeria @ ASTROJILDO PEREIRA



ASTROJILDO PEREIRA
Fotos Pesquisa de JOSÉ ROBERTO GUEDES DE OLIVEIRA

* Galeria @ ASTROJILDO PEREIRA





ASTROJILDO PEREIRA
Fotos Pesquisa de JOSÉ ROBERTO GUEDES DE OLIVEIRA

* Galeria @ ASTROJILDO PEREIRA

* Galeria @ ASTROJILDO PEREIRA




















* Galeria @ INEZ DIAS PEREIRA ( esposa )





ASTROJILDO PEREIRA
Fotos Pesquisa de JOSÉ ROBERTO GUEDES DE OLIVEIRA

* Galeria @ ASTROJILDO PEREIRA







ASTROJILDO PEREIRA
Fotos Pesquisa de JOSÉ ROBERTO GUEDES DE OLIVEIRA

* Galeria @ ASTROJILDO PEREIRA












ASTROJILDO PEREIRA
Fotos Pesquisa de JOSÉ ROBERTO GUEDES DE OLIVEIRA

* minha avó MARIA FRANCISCA PEREIRA MARINHO , Medalha UPPE



MARIA FRANCISCA PEREIRA MARINHO ( 1909 - 1998 )

O entusiasmo de Maria Francisca Pereira Marinho, com 36 anos na época, contagiou as demais professoras que se reuniram numa tarde de agosto de 1945, na tentativa de serem recebidas no Palácio do Ingá, Sede do Governo Intervencionista que representava a ditadura do Presidente Getúlio Vargas.O descaso dos governantes de então, não tão diferentes dos de hoje, quando se trata de atender reivindicações de professoras para obtenção de melhorias de condições de trabalho, foi flagante, consta de relatos da época. Mas a professora MARIA FRANCISCA PEREIRA MARINHO não se arrefeceu e , ali mesmo, na porta do Palácio do Governo, para onde tinha conduzido os 150 colegas, vindos de toda parte do Estado do Rio, discursou inflamadamente sobre a premente importância da criação de uma entidade representativa da categoria ...A proposta foi adiante e no dia 8 de setembro 1945, durante reunião, realizada no Club dos Funcionários " com membros do magistério, com o objetivo de tratar exclusivamente dos interesses da classe ". como consta da Ata de fundação da Entidade. Como seria natural MARIA FRANCISCA, a primeira Presidente da Entidade " Partido da Educação ", defendendo a bandeira de todos os professores

MARIA FRANCISCA, que colocou todo o conhecimento político , adquirido através da conceituada família, cujos membros tinham tradição na política de Democratização do Brasil... merecidamente, dá nome ao Prêmio
( UPPE Medalha Maria Francisca Pereira Marinho )

* IVAN ALVES FILHO Agenda FAP

http://www.fundacaoastrojildo.org.br/index.asp?opcao=mostra_noticia&id=8190
PPS filia D. Norma Pereira Dias e Délcio Marinho"Eu nasci na casa onde foi fundado o Partido Comunista". Quem costuma dizer essa frase é Norma Pereira Dias, sobrinha de Astrojildo Pereira, o fundador do PCB, em março de 1922, em Niterói. Como se isso não bastasse, D. Norma - uma antiga campeã de voleibol pelo Flamengo - resolveu ingressar no Partido Popular Socialista, agremiação originária do PCB criado por seu tio Astrojildo. E o fez em grande estilo: em um domingo de sol, no Rio de Janeiro, ninguém menos do que Roberto Freire, Presidente do PPS, assinou sua ficha de filiação ao Partido, assim como aquela de Délcio Marinho, sobrinho-neto do velho Astrojildo. É a tal história: os bons filhos à casa tornam... Norma Pereira Dias foi recebida por Roberto Freire e a mulher, Mariza, para um café da manhã em um hotel localizado no Posto Seis, em Copacabana. Figura humana extremamente afável, D. Norminha, como é mais conhecida, acompanhou em seguida a passeata que o seu Partido promoveu em torno de Fernando Gabeira, candidato da coligação PV-PSD-PPS à Prefeitura do Rio de Janeiro. E ficou encantada com o que viu, realçando o entusiasmo das pessoas presentes. Outra prima sua, D. Daily Marinho, também sobrinha de Astrojildo Pereira, demonstrou vontade igualmente de aderir ao Partido, confessando sua "grande admiração por Roberto Freire". D. Norminha pretende contribuir, em particular, para a lutas das mulheres organizadas dentro do Partido. Já o sobrinho Délcio Marinho, que é artista, revelou que buscará se aproximar do trabalho da Fundação Astrojildo Pereira, o braço cultural do PPS. Délcio lembrou que "pertencera ao Instituto Astrojildo Pereira nos anos 80, quando o PCB veio para a legalidade". E é preciso dizer que D. Norminha teve uma participação decisiva no documentário A casa de Astrojildo, produzido pela Fundação Astrojildo Pereira em homenagem ao grande revolucionário e crítico literário. O filme foi dirigido por Ivan Alves Filho, também presente ao encontro, assim como sua mulher, Elaine. Roberto Freire comemorou as duas filiações, "até pelo seu caráter simbólico". "Para nós", disse ele, "a herança de Astrojildo Pereira é sempre muito querida e seus familiares são também um patrimônio nosso".

* ASTROJILDO PEREIRA fotos

* O comunista que beijou Machado

Sérgio Augusto

http://www.digestivocultural.com/ensaios/ensaio.asp?codigo=87

Em 1964, a casa de nº 11 da rua do Bispo, no Rio Comprido, bairro da Zona Norte do Rio de Janeiro, foi invadida e saqueada pela polícia. Ali morava um perigoso subversivo chamado Astrojildo Pereira Duarte Silva, de 74 anos e armado de livros até o teto. De quê o acusavam? De haver conspirado para derrubar o governo. Não o que acabara de derrubar João Goulart, mas o que nos governara cinco décadas antes, quando aquele pacato senhor tinha apenas 28 anos e fazia parte de um grupo anarquista, liderado pelo professor José Oiticica. A prisão de Astrojildo Pereira mobilizou jornalistas, escritores e artistas, todos preocupados com o seu coração, avariado, meses antes, por um enfarte. Já estávamos em 1965 quando outro enfarte, daquela vez fatal, desfalcou as hostes comunistas de seu mais respeitável crítico literário. Seu enterro, coroado com um discurso de Otto Maria Carpeaux, foi num cemitério de Niterói—a mesma cidade de onde, 56 anos antes, Astrojildo saíra do anonimato para a história da literatura. 28 de setembro de 1908. Um jovem de quase 18 anos pega a barca da Cantareira rumo à Praça XV, do outro lado da baía de Guanabara. Nem seus pais sabiam que ele pretendia visitar Machado de Assis no leito de morte. Tenso, Astrojildo bateu à porta do casarão do Cosme Velho, identificou-se apenas como “um grande admirador do escritor” e implorou para que o deixassem entrar e ver o mestre de perto. Em vigília na sala de estar, Euclides da Cunha, Coelho Neto, José Veríssimo, Raimundo Corrêa, Graça Aranha e Rodrigo Otávio manifestaram-se contra a entrada do rapaz desconhecido. Acordado pelo burburinho, Machado permitiu que Astrojildo entrasse em seu quarto, ajoelhasse ao lado da cama e lhe beijasse a mão, partindo logo depois sem se identificar. O escritor morreria na madrugada seguinte. “Naquele meio segundo em que ele estreitou o peito moribundo de Machado de Assis, aquele menino foi o maior homem de sua terra”, escreveu Euclides da Cunha, num célebre artigo intitulado “A última visita”, publicado no Jornal do Commercio, dois dias depois da morte do escritor. “Qualquer que seja o destino desta criança”, vaticinou, “ela nunca mais subirá tanto na vida”. Durante quase 30 anos Astrojildo moitou sobre a identidade da “última visita” de Machado, afinal revelada por Lúcia Miguel Pereira em 1936. Àquela altura, ele já era um nome bem conhecido, junto às esquerdas principalmente. Fazia então quatro anos que o Partido Comunista o afastara de seus quadros, por considerá-lo um “intelectual pequeno-burguês” e “oportunista”. Além do mais, prestista. Foi por seu intermédio que o tenente Luís Carlos Prestes, exilado na Bolívia, teve acesso aos primeiros clássicos do marxismo-leninismo. Três paixões Astrojildo teve na vida. As duas maiores, por ordem de entrada em cena, foram Machado (a quem dedicou, em 1959, um precioso estudo sociológico, reeditado pela Oficina de Livros de Belo Horizonte) e o comunismo. A terceira, marcante mas passageira, foi Ruy Barbosa. Para o rapazola de Rio Bonito que acompanhava de Niterói a cosmopolitização do Rio, Machado e Ruy eram os dois símbolos máximos da modernização da velha capital, seu ponto de encontro com o nacional e o internacional, o fascínio e o desencanto, a elegância e a brutalidade, a utopia republicana e a luta de classes, a vida literária e as festas populares, “tudo em contraditória tensão, sem a qual não se pode compreender a origem do revolucionário”, para usar as palavras de Martin Cesar Feijó em O Revolucionário Cordial, biografia intelectual e política de Astrojildo que Boitempo Editorial veio a lançar. Feijó já escrevera, na década de 80, um ensaio sobre a formação política de Astrojildo, agora expandido e aprofundado nessa obra francamente empenhada em caracterizar o mestre informal de Prestes como um sujeito de boa alma, afável, honesto e tolerante, utilizando-se da terminologia consagrada por Sergio Buarque de Holanda, que aliás conheceu Astrojildo em 1929, em Berlim. Para sua surpresa, em vez de um “bolchevique inflexível”, encontrou “um homem refinado e de excelente formação literária”. Intelectuais tão díspares quanto Carpeaux, Gilberto Freyre, Oswald de Andrade e Antonio Candido passaram pela mesma surpresa. Até o ferrenho anticomunista Nelson Rodrigues reverenciava a figura e a opinião de Astrojildo. Autodidata desde a adolescência, o “revolucionário cordial” nem concluiu o curso ginasial. Como tantos jovens da sua geração, foi civilista, anarquista, e antes mesmo de desviar para o comunismo, em 1921, já não via com bons olhos o Águia de Haia. Quando este morreu, em 1923, foi todo ironia: “O proletariado não perdeu nada com isso, antes pelo contrário”. Mas a Machado e ao comunismo permaneceu fiel a vida inteira. Um dos fundadores do PC, em 1922, Astrojildo visitou a Rússia soviética em 1924 (encantou-se com os funerais de Lenin, a força do rublo e a quantidade de livrarias em Moscou), fundou A Classe Operária, a mais duradoura publicação do partido, mas não escapou ao furacão obreirista que, a partir de setembro de 1929, começou a devastar os PCs da América Latina. Patrulhado pelos artigos que vez por outra enviava para publicações consideradas “burguesas”, como a Revista Nova (que tinha Mario de Andrade em seu quadro de colaboradores), “pequeno-burguesas”, como O Homem do Povo (editada por Oswald de Andrade e Pagu), e “fascistas”, como O Tempo (de Miguel Costa), e até por sua amizade com Di Cavalcanti, seu companheiro de pensão, Astrojildo viu-se forçado a ser revolucionário à sua moda, sem se curvar aos ditames partidários e ao dogmatismo estético dos marxistas de meia-tigela . “Os camaradas devem saber que disciplina não significa aviltamento”, declarou para quem quisesse ouvir e enfiar a carapuça. Seu afastamento do Partidão livrou-o de qualquer envolvimento com a insana revolta de 1935, vulgarmente conhecida como Intentona Comunista. Como não conseguia viver exclusivamente dos ensaios que produzia para a imprensa dita burguesa, dedicou-se, por uns tempos, ao comércio de frutas, na capital paulista, onde morou até o fim da guerra. Voltaria ao PC em 1945, quando se candidatou, sem sucesso, à Câmara dos Vereadores. Seus principais cabos eleitorais, Carpeaux e Graciliano Ramos, tinham muitas virtudes, mas eram duas nulidades em matéria de marketing político. Astrojildo publicara recentemente seu primeiro livro de ensaios literários, Interpretações, com uma fina análise das obras de Machado e três outros fundamentais romancistas do Rio: Manuel Antônio de Almeida, Joaquim Manuel de Macedo e Lima Barreto. Um comunista com a intransigência ideológica de um Octávio Brandão, por exemplo, jamais reconheceria no autor de A Moreninha um “intérprete autorizado dos nossos sentimentos”, “um cronista meticuloso e fidedigno de nossa vida social nos meados do século XIX”, como fez Astrojildo. A comparação com o mais importante teórico marxista dos primórdios do PC foi intencional. Rival e desafeto de Astrojildo, Brandão não perdia uma oportunidade de desqualificá-lo como “pequeno-burguês liberal e confusionista”, “anarquista exasperado e desesperado”, e coisas piores. Qualquer dúvida, basta consultar Combates e Batalhas: Memórias, editado em 1978 pela Alfa-Ômega.Brandão, cuja postura crítica teria horrorizado o próprio Karl Marx, que se deliciava com a ficção de Walter Scott, Balzac e Eugène Sue, abominava Machado de Assis, contra quem investiu com fúria desmedida e a tradicional miopia analítica dos zumbis ideológicos. Para ele, Machado “deveria ter continuado e desenvolvido o romantismo heróico de Castro Alves”.
Assim, seus livros, “grosseiros”, “decadentes”, “comodistas”, talvez deixassem de ser “enfadonhos”, “criações equivocadas” de um espírito “burguês”, “retrógrado” e “niilista”. Quando sua diatribe O Niilista Machado de Assis (Organização Simões Editora, 206 págs.) chegou às livrarias, em 1958, Carpeaux não deixou pedra sobre pedra, culminando por compará-la àquilo que os pássaros costumam despejar sobre as estátuas. Dênis de Moraes já nos dera conta da difícil convivência de Astrojildo e outros com o sectarismo de certos membros do Partidão, em O Imaginário Vigiado (José Olympio, 1995), sobretudo no auge do stalinismo. Feijó amplia o quadro, descendo a minúcias que só antigos integrantes do PC ou experts em Astrojildo, como José Paulo Netto, Leandro Konder e Heitor Ferreira Lima, talvez conheçam. Nos seus últimos 19 anos de vida e atividade partidária, a “última visita” de Machado de Assis limitou-se, praticamente, a participar de eventos culturais, palestras, organizar publicações e escrever artigos. Acabara de lançar, pela Civilização Brasileira, uma coletânea de ensaios, Crítica Impura (Autores e Problemas), e editava a revista cultural Estudos Sociais, quando os militares deram o golpe em 1964. Segundo Feijó, Astrojildo “morreu convencido de que o partido sempre acertava, até quando errava”, pois acreditava que “era melhor errar coletivamente do que acertar individualmente”. Cordial, sim, herético, jamais. Tanto que silenciou sobre os expurgos stalinistas e relativizou a intrínseca mediocridade do realismo socialista, admitindo sua validade “quando aplicada acertadamente, sem interferir na liberdade de criação”. Ou seja, também errou individualmente. Mas, como dizia o Boca Larga, ninguém é perfeito.

Nota do Editor
Texto gentilmente cedido pelo autor. Originalmente publicado no jornal O Estado de S. Paulo, a 6 de outubro de 2001.

* Ele foi o principal fundador do Partido Comunista do Brasil e o primeiro intelectual marxista brasileiro

Astrojildo Pereira (1890-1965)
http://www.vermelho.org.br/museu/principios/anteriores.asp?edicao=81&cod_not=1009

Ele foi o principal fundador do Partido Comunista do Brasil e o primeiro intelectual marxista brasileiro

Marcos Del Roio

A trajetória de Astrojildo Pereira coincide com o nascimento e a formação da modernidade capitalista no Brasil. Ele nasceu depois do fim do escravismo e da monarquia e morreu logo após a instalação da ditadura militar que consolidaria a ordem burguesa no Brasil. Durante toda a sua vida Astrojildo Pereira preservou a lucidez de se manter ao lado e na perspectiva do que havia de mais progressivo na vida social e cultural do País. Desde cedo percebeu que a classe operária e os trabalhadores ofereciam a seiva mais fértil e saudável da nossa vida social.
O espírito de rebeldia levou-o a abandonar os estudos formais aos 16 anos de idade, quando começou sua militância anarquista, em oposição à fé religiosa difundida pela Igreja e contra o militarismo, estimulado, talvez, pelas greves operárias de 1906. Sob o impacto da revolta dos marinheiros no Rio de Janeiro e pela execução do pedagogo anarquista Francisco Ferrer, na Espanha, Astrojildo fez uma curta viagem à Europa — que lhe serviu para amadurecer suas convicções de antagonismo à ordem social. Como gráfico e jornalista, ele passou a ser um militante e organizador do movimento operário da vertente anarco-sindicalista, tendo participado ativamente de várias publicações de oposição à ordem liberal oligárquica e à guerra imperialista.
Astrojildo Pereira viveu intensamente o apogeu e a crise da primeira marcante irrupção do movimento operário na cena política do país, quando os trabalhadores urbanos se expressaram como classe, entre 1917 e 1920. A rebelião do trabalho no Brasil foi apenas uma limitada faceta de um movimento universal, cujo ápice esteve na revolução socialista eclodida na Rússia. As dificuldades no encaminhamento da luta de classe contra a ordem liberal oligárquica — que acabaram na derrota do movimento — e o impacto da Revolução Russa de 1917 provocaram uma cisão no seio da vanguarda operária. O último esforço para a preservação da unidade foi feito no III Congresso Operário do Brasil, em abril de 1920 — havia divergências entre aqueles que, por um lado, entendiam que a derrota se devia à falta de centralização da organização da luta, cuja solução seria a formação de um partido operário e que o desenvolvimento da revolução russa deveria continuar sendo apoiado e aqueles que, por outro, continuavam a defender as formas dispersas de organização e que a revolução russa havia regredido, não devendo mais ser apoiada.
Entre 1919 e 1924, Astrojildo Pereira dedicou-se ao esforço de organização de um partido comunista no Brasil. A primeira tentativa de sua fundação ocorreu na seqüência da criação da Internacional Comunista, em março de 1919, com relativo e escasso sucesso. Diante da inevitável cisão da direção da COB (Confederação Operária Brasileira), Astrojildo Pereira passou a organizar o grupo que entendia ser necessária a criação de um novo instrumento de luta e o estabelecimento de um sólido vínculo internacional. Assim, tendo fundado o Grupo Comunista do Rio de Janeiro, em 7 de novembro de 1921, buscou aglutinar outros grupos análogos que iam surgindo pelo país até que, em 25 de março de 1922, foi oficialmente fundado o PCB (Partido Comunista Brasileiro). No entanto, o reconhecimento oficial por parte da IC só viria em 1924.
A partir de então Astrojildo Pereira empenha-se na configuração de um grupo dirigente do neonascente partido operário, que desenvolvesse uma política voltada para a reconstrução da unidade da classe operária, para o estabelecimento de alianças políticas com outros setores oprimidos da ordem liberal e para a formulação de uma teoria da revolução. Ao cabo de cinco anos, em torno de meados de 1929, com a estreita colaboração de Otávio Brandão, Paulo de Lacerda e Cristiano Cordeiro, entre outros, Astrojildo Pereira havia delineado um grupo dirigente do movimento operário, em nova fase ascendente, assim como uma teoria da revolução brasileira que vislumbrava no latifúndio e no imperialismo os inimigos principais da classe operária, no campesinato e na pequena burguesia urbana (e seus intelectuais) os seus aliados. A questão agrária e a questão nacional seriam, assim, o fulcro da revolução democrática no Brasil.
Esse trajeto não foi feito sem dificuldades, tendo encontrado uma oposição no interior do partido, que depois daria origem tanto à vertente stalinista quanto à trotskista do comunismo brasileiro. A repressão desencadeada pelo agonizante Estado liberal oligárquico e a intervenção da IC — agora sob controle o grupo de Stalin — desarticularam esse primeiro grupo dirigente do partido operário no Brasil. Astrojildo Pereira e Otávio Brandão, os dois principais dirigentes do PCB, foram afastados. Enquanto o primeiro se recolhe por algum tempo para refletir e estudar, o segundo é banido pelo novo regime instaurado em 1930, tendo se exilado na URSS. Ao contrário do que se pensa, ambos continuaram, sob outras formas e vestes, a militar no movimento comunista. Otávio Brandão falou muitas vezes pelo PCB em Moscou e Astrojildo Pereira por meio de seus escritos seguiu travando a luta em defesa da causa operária.Contudo, a partir de meados de 1934, quando o movimento operário começou uma nova ascensão e a resistência antifascista passou a se difundir na intelectualidade, Astrojildo Pereira se deu conta de que a política que havia concebido antes de 1930 voltava a se manifestar na Aliança Nacional Libertadora, embora numa situação de todo nova.
Mesmo com a derrota da ANL e com a subseqüente instauração do Estado Novo, Astrojildo cumpriu um papel de suma importância na organização da cultura e da intelectualidade antifascista e democrática do Brasil, defendendo os princípios da liberdade de expressão e de organização e a necessidade de difusão da cultura entre as massas trabalhadoras. Formalmente aceito às fileiras do PCB, ele persistiu se ocupando daquilo que mais gostava: a organização dos intelectuais e a procura das raízes nacional-populares da cultura brasileira. O instrumento de trabalho foi a revista Literatura.
A colocação do PCB na ilegalidade e a nova orientação política que estreitava sobremaneira as alianças políticas, particularmente no campo da cultura, romperam as relações arduamente urdidas por Astrojildo Pereira. Somente depois do forte impacto do XX Congresso do PCUS (1956) ele retorna ao efetivo fio condutor da sua trajetória intelectual. Novamente busca amparo e inspiração em Machado de Assis na busca do nacional-popular, do respaldo cultural necessário para a revolução nacional e democrática que se auspiciava. O último grande empreendimento foi a revista Estudos Sociais, voltada precisamente para a aglutinação de jovens intelectuais decididamente interessados no conhecimento, no estudo e na transformação da realidade brasileira. Com a instauração da ditadura militar, em 1964, e a repressão política e cultural que se seguiu, Astrojildo Pereira foi preso e viu ruir muitos dos seus melhores projetos e sonhos. A morte o colheu em novembro de 1965. Foi somente na fase declinante da ditadura militar que seu nome começou a receber o devido reconhecimento, não só como o principal fundador do Partido Comunista no Brasil, mas também como o primeiro marxista e leninista e um intelectual ativo na organização do mundo da cultura que ofereceu preciosos indicativos de interpretação e pesquisa.

Marcos Del Roio é professor de Ciências Políticas, FFC-Unesp/Marília

* MARXISTS INTERNET ARCHIVE


http://www.marxists.org/portugues/astrojildo/index.htm
Astrojildo Pereira Duarte Silva
1890-1965
Iniciou a militância política em organizações operárias anarquistas. Em 1913 promoveu o II Congresso Operário Brasileiro. Em 1918 participou de um frustada insurreição anarquista, foi preso sendo solto no ano seguinte. Em 1922 participou da fundação do Partido Comunista do Brasil - PCB, sendo eleito Secretário Geral do partido.
Em 1928, durante o VI Congresso da Internacional Comunista, foi eleito para o seu Comitê Executivo. Viveu na Rússia entre 1929 e 1930, retornou ao Brasil com a missão de "proletarizar" o PCB. Em novembro de 1930 foi afastado da Secretaria Geral do Partido. Em 1931 pediu desfiliação do PCB e passou a dedicar-se à profissão de jornalista (crítico literário). Retornou ao PCB em 1945 passando a colaborar com as publicações do Partido.

Atualmente estão disponíveis em Português as seguintes obras:

1917 - Jul
A Revolução Russa

1918 - Mar
A Revolução Russa e a Imprensa

1918 - Jun
O Juizo Final

1922 - Mar
Não Nos Assustemos Com o Debate

1922 - Mai
Viva a Rússia dos Sovietes

1922 - Nov
1917 — 7 de Novembro — 1922